quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Modelos e Critérios da Ação Pastoral

Os Modelos da Ação Pastoral e os critérios são ferramentas que nos ajudam a compreender a realidade. No entanto todos sabemos que não existem respostas completas, há sempre algo mais por descobrir. Tendo em conta a sua origem (Cristo), a sua meta (Reino) e o local onde ocorre (Mundo), Júlio Ramos, em Teologia Pastoral (2006),  apresenta-nos nove critérios que nos ajudam a identificar uma Ação Pastoral. Para que esta seja Pastoral tem que evidenciar em simultâneo esses nove critérios.
A seguinte tabela estabelece a articulação existente entre os diferentes modelos e os critérios:


       

Modelo Tradicional
Modelo Comunitário
Modelo Evangelizador
Modelo Libertador
Critérios da continuação da Ação de Cristo
Teândrico
- A ação divina é vista como a sociedade perfeita para encaminhar a ação humana, dando continuação à missão de Cristo.
- A ação divina deve misturar-se com a ação comunitária, tal como Cristo com as duas naturezas.
- A ação deve valorizar a Palavra de Deus para que a mesma possibilite a mistura da ação humana com a divina.
- Fazer com que a ação pastoral da Igreja leve realmente ao encontro do homem e do mundo com Deus.
Sacramental
- A ação pastoral é salvadora porque nela a vida nova e a salvação se faz carne na nossa história.
- Toda a ação Pastoral está ao serviço da comunhão com Deus e com os homens e destes entre si.
- A ação deve mostrar o caminho sacramental da salvação divina.
- A ação pastoral carateriza-se pela sua eficácia no mundo, com o objetivo final da salvação.
Conversão
- A Liturgia deve valorizar o sacramento da penitência.
- A comunidade deve ser constantemente apelada à conversão para se configurar cada vez mais perfeita com o Senhor.
- A evangelização deve proporcionar a transformação profunda no coração dos crentes.
- Só a ação que possibilita os indivíduos e as instituições a serem mais conformes ao projeto de Deus.
Critérios da Meta da Ação Pastoral - Reino
Historicidade
- Ter consciência da história é importante para o caminhar em Igreja.
- A história é importante para que a comunidade também cresça e para que se possa saber onde se pode intervir e melhorar.
- A ação evangelizadora deve ter em conta um passado, um presente e um futuro, sempre em saudável tensão com o que é o Reino.
- A ação pastoral é sempre marcada pelo dinamismo da história e o ser peregrino é uma dimensão fundamental do ser Igreja.
Sinais dos Tempos
- Deve haver uma postura crítica contante.
- É necessário fazer um escrutínio da comunidade em questão tomando uma atitude de sentinela.
-A ação deve discernir qual a melhor evangelização mediante o mundo atual.
- A ação deve estar atenta às necessidades do mundo atual.
Universalidade
- A Igreja é convidada a criar condições para que aqueles que a acolhem possam ser santificados.
- A ação da Igreja deve abrir-se e incorporar todos os membros da comunidade, mediante a universalidade da salvação.
- Aspeto qualitativo: tornar todos os seus membros verdadeiros agentes pastorais.
- Aspeto quantitativo: levar a salvação a todos.
Critérios do Mundo (onde acontece a Ação)
Diálogo
- A Igreja deve ser mediadora de Cristo pela sua capacidade de dialogar.
- Deve proporcionar o diálogo da comunidade entre si e com Deus.
- Pela capacidade de diálogo é compreendida pelos homens de hoje a linguagem da fé, anteriormente e agora revelada.
- A linguagem da fé é revelada na capacidade de diálogo.
Encarnação
- Partindo da Liturgia  Eucarística enceta-se ao diálogo para que a linguagem das parábolas se torne atual e mais fácil de ser entendida.
 - Em contacto com a diversidade da comunidade deve produzir cultura evangélica.
 - O Evangelho em diálogo com a cultura deve produzir cultura cristã.
 - Produção de cultura evangélica  através da caridade.
Missão
-A Igreja, sob a ação do Espírito Santo deve evangelizar.
- A evangelização deve ter como fim a unidade e comunhão da Igreja.
 - A ação deve continuar o que Jesus veio fazer: a evangelização de todos os povos.
 - A ação é transparecer na caridade a continuação da missão de Cristo.

Apreciação crítica da Ação Pastoral de uma Diocese AMIGA



Após o estudo da perspectiva de Emílio Alberich no que diz respeito à Ação Pastoral atual surgiu a curiosidade de analisar alguns documentos digitais da Diocese a que pertenço - a Diocese de Aveiro.
Comecei por procurar o seu site, registando logo à primeira vista a quantidade de mensagens dedicadas às Visitas Pastorais do Sr. Bispo António Moiteiro. Mensagens estas meramente informativas: ou com o programa das visitas ou com os ecos das mesmas.  De seguida decidi procurar o Plano Diocesano de Pastoral, sobre o qual me irei debruçar, analisando-o à luz da perspetiva de Emílio Alberich. 
Inicio então por explicar que este Plano foi concebido sob a temática do Ano da Misericórdia proposto pelo Papa Francisco. O Bispo atual sentiu a necessidade de uma nova organização e renomeação no organograma dos diferentes sectores que existiam, nomeando, em alguns casos, novos membros e novos responsáveis. Após esta reestruturação surgiu então o Plano Pastoral, para o triénio 2015-2018, alicerçado no símbolo do lava-pés, que traduz o tema da Misericórdia. Nele estão inseridos os seguintes temas:


2015-2016 - Igreja de Aveiro, vive na fé a alegria da misericórdia.
2016-2017 - Igreja de Aveiro, vive na esperança a alegria da misericórdia
2017-2018 - Igreja de Aveiro, vive na caridade a alegria da misericórdia

Como podemos observar o Plano encontra-se organizado segundo as três virtudes teologais, visando dar respostas às dificuldades da Diocese inerentes da constante mobilidade populacional, da fragilidade das famílias, da precarização do trabalho, do envelhecimento da população e da instabilidade juvenil sem horizontes de esperança para o futuro imediato.
Trata-se de um plano muito simples, que comporta os objetivos para cada ano pastoral, bem como as justificações a nível antropológico/sociológico, teológico/eclesiológico e pastoral/operativo. Os âmbitos principais da ação eclesial descritos por Emílio Alberich - Ação Missionária; Ação Catecumenal; Ação Pastoral; Presença no Mundo - acabam por estar um pouco implícitos nestas justificações, no entanto o plano não refere nada em concreto que denote ações específicas para cada um destes âmbitos. O próprio cronograma que posteriormente aparece, apenas contém ações no âmbito catecumenal e litúrgico.
Segundo o autor anteriormente referido a Igreja deve ser no mundo sinal de serviço, fraternidade, anúncio e festa e para isso deve ter quatro funções/mediações: diaconia (chamar a manifestar um novo modo de amar e de servir), koinonia (chamar a anunciar), martirio (ser portadora de esperança) e liturgia (celebrar). Deve assim ser portadora de um novo espírito de amor universal, de uma nova forma de convivência fraterna, de uma mensagem e de um testemunho cheios de vida e esperança e, por fim, portadora de um conjunto de ritos transparentes e expressivos de uma vida em plenitude. Analisando o Plano Pastoral da Diocese de Aveiro, vemos  que tudo isto está presente implicitamente, mas não há nada em concreto que nos conduza para um lado ou para o outro. Talvez possamos referir que durante o primeiro ano a sua função será mais a do anúncio, do martírio, no segundo ano, a do celebrar, da liturgia e no último ano a da caridade, da diaconia. As ações privilegiadas serão as catecumenais e «pastorais» - ações «ad intra».
Vemos por isso que o Modelo de Ação Pastoral inerente neste Plano é o Modelo Evangelizador uma vez que se baseia na autenticidade de comunhão e na natureza sacramental, com vista à abertura da Igreja de Aveiro ao mundo para o qual é entendida como sacramento de salvação.
É de facto urgente uma conversão pastoral profunda, pelo que esperamos que este plano nos abra novos horizontes e novos caminhos pelos quais possamos crescer na FÉ, alicerçados na ESPERANÇA com vista à CARIDADE na alegria da MISERICÓRDIA.
Que todos consigamos ser «ousados e criativos nesta tarefa de repensar os objetivos, as estruturas, o estilo e os métodos evangelizadores das respetivas comunidades. Uma identificação dos fins, sem uma condigna busca comunitária dos meios para os alcançar, está condenada a traduzir-se em mera fantasia.» (EG 33).


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Análise do Plano Pastoral da Diocese de Aveiro tendo em conta a perspectiva de Emilio Alberich Sotomayor descrita em Catequesis Evangelizadora, Editorial CCS, Madrid, 2003, pág. 45-63

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

O que distingue a TP das outras áreas de saber teológico, no contexto da universidade.




LANZA,Convertire Giona: Projettare la Pastorale, Capitolo 3


Segundo Donegani a Teologia Prática procura “elaborar um pensamento crítico a partir da experiência de fé”1. É aquela que faz a ligação entre o pensamento e a ação. Deve, por isso, situar-se entre a teoria e a prática, refletindo a ação e apoiando a criação de conceitos teóricos , baseados na análise da realidade numa perspetiva teológica, para assim criar um plano de ação, projetos e programas.

Esta Teologia distingue-se das outras por se realizar em três estratos: pastoral fundamental, pastoral especial e pastoral aplicada. Há assim uma reflexão sobre a ação, a análise de uma situação concreta (metodologicamente dividida em três partes: análise fenomenológica, projeção de uma situação nova da ação eclesial e descrição de uns imperativos de ação) e a passagem do pensamento à ação. Estes três estratos não são estanques e pressupõem a existência de responsabilidade, liberdade, originalidade e criatividade.

Na sua especificidade podemos constatar que a Teologia Pastoral possui:
Âmbito – estudos teológicos;
Referência próxima – conceção eclesiológica;
Referência última – a fé da Igreja;
Objeto material – a vida da comunidade cristã;
Objeto formal – a ação eclesial concreta sob um horizonte hermenêutico da fé;
Método – analisar a situação concreta eclesial para projeção de uma nova situação;
Ajuda – ciências auxiliares que ajudam a conhecer a realidade;
Finalidade próxima – iluminar a pratica eclesial concreta e dar as pautas para a sua identificação;
Finalidade última – servir à missão eclesial.

A Igreja, enquanto sacramento universal da salvação, tem como função o anúncio do Reino através da liturgia, da comunhão, da caridade e do próprio anúncio. Os principais âmbitos da sua ação pastoral ,ao serviço do Reino de Deus, são a presença no mundo, a ação missionária, a ação catecumenal e a ação pastoral. Fundamenta-se na Lei da Encarnação respeitando e analisando a suas dimenções: kairológica, criteriológica e operativa. O perdão, a conversão, o diálogo e a escuta são as competências que se devem ter em conta no discernimento eclesial das realidades concretas do quadro comunitário.

Perante a ambiguidade do termo Pastoral, que nos remete para diferentes perspetivas, podendo tornar de certo modo simplista o verdadeiro objetivo e sentido desta área teológica, Rahner usa o termo Eclesiologia Existencial. Define-o como uma reflexão teológica da ação da Igreja na sua ação dinâmica movida pelo sopro vital do Espírito de Cristo. À luz do Concílio Vaticano II, pretende-se que esta promova o constante diálogo com a cultura, as ciências e as outras religiões, sobre o dinamismo do Corpo Místico de Cristo, centrando-se na Palavra de Deus e na oração da vida humana e da missão.



1J.-M.DONEGANI, «Les récits de vie», in G. ROUTHIER, M. VIAU (dir.), Précis de théologie pratique, 105.




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terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Concílio Vaticano II - HOJE


RAMOS, J. (1995), Teologia pastoral, Colección Sapientia fidei, BAC, Madrid, pp. 54-100.

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Tabela Cronológica da Teologia Prática

Tempo
Espaço
História Universal
Teologia Geral
Teologia Prática
Século XVIII
França

Áustria

·    Estado Absolutista
·    Iluminismo
·    Racionalismo

· Postura apologética derivada da Reforma Protestante
· Uniteralidade visível e hierárquica da teologia Pós Tridentinana sua conceção eclesiológica.




· Nascimento da disciplina Teologia Pastoral (TP)
                                             (03-10-1774)


·  TP vista como uma arte e uma técnica
·  Denominada tanto como Teologia Pastoral como Teologia Prática
·  Manuais sob influência do josefimismo





·  Reforma da conceção pastoral:
1. Orientação bíblio-teológica (J. S. Drey e J. M. Sailer)
2. Orientação eclesiológica (A. Graf.)
·  Estatudo científico da TP





·  Manuais apresentam uma visão eclesiológica brotada do Concílio Vaticano I:
- Tarefa pastoral de Jesus Cristo, bom pastor, continuada na Igreja através dos seus pastores.
- A cura animarum como concretização dessa tarefa pastoral.
·   TP como ciência aplicada




·   Manuais vistos como inválidos para a vida e ação da Igreja
·   TP assume com clareza novas ideias eclesiológicas entrando em contacto com as realidades sociais e criando institutos de pastoral com ajuda eficaz
·   C. Nopple (1937) acentua duas problemáticas da pastoral – a eclesiologia do Corpo Místico e o apostolado dos leigos na vida da Igreja.
·   Arnald (1949) vê a ação pastoral como mediação da salvação. Esta mediação está em continuidade compreendendo-se desde a a ação de Cristo, verdadeiro e único mediador da salvação.

·   Movimentos pastorais (década de 50):
- especializados na Ação Católica francesa
- dos padres operários
- da renovação paroquial em França
(Verificou-se que há diferente estruturação na Igreja e no mundo; a igreja ignora os meios que possui para a missão pastoral; caminha paralelamente com a sociedade sem possibilidade de encontro efetivo e que a relação e o diálogo da Igreja com o mundo deve estar na base da sção pastoral.)


·   Desta reflexão teológica surge assim a pastoral de conjunto, até hoje conhecida, que inclui os seguintes passos:
- Estudar e conhecer a situação da sociedade.
-Congregar na Igreja os distintos meios e agentes para a sua missão, estabelecendo um plano pastoral e um programa comum.
- Ver a Igreja diocesana como unidade pastoral, respondendo à unidade teológica, e como centro de conjunção e programação da ação pastoral eclesial.
EUA
·    Início da Guerra da Independência nos EUA
Pio VI
1775-1799


·    Thomas Paine publica Os Direitos do Homem (1776)



Áustria
·    Morte de Maria Teresa de Áustria (1780)
·    Sucessão de José II


·  Influência dos josefinistas
·  Decadência das ciências teológicas
·    Papa Pio VI visita o Imperador José II com o intuito de chegar a um acordo sobre a intervenção do mesmo na Igreja (1782)
Alemanha
·    Kant publica “A Crítica da Razão Pura” (1781)

Inglaterra

·    Revolução Industrial
(1760-1900)



França
·    Revolução Francesa  (1789-1799)
Alemanha
·    Kant publicaA Religião nos Limites da Simples Razão” (1793)
Século XIX
Tubinga
·    Romantismo
·    Idealismo
Pio VII
1800-1823
·  Reformas eclesiológicas; J.A. Möhler descobre para a Igreja a vida como conceito fundamental, sua dependência do Espírito e sua relação com o Verbo Encarnado. Dá-se inicio à eclesiologia da comunhão.


Leão XII
1823-1829


Pio VIII
1829-1830





·    Surge o 1.º computador  de Konrad Zuse (1833)
Gregório XVI
1831-1846


Pio IX
1846-1878


Concílio Vaticano I
(08-12-1869 a 08-12-1970)
Constituições dogmáticas:
- “Dei Filius”
- “Pastor Aeternus”




Filadélfia
·    Invenção do telefone (1876) por Graham Bell



Leão XIII
1878-1903

Século XX





Pio X
1903-1914



Europa

·    1.ª Guerra Mundial
·    (29-07-1974 a 11-11-1978)
Bento XV
1914-1922


França



·    Tratado de Paz de Paris (1919)
·    Tratado de Versalhes (1919)







Mundo

Friburgo












França

·    2.ª Guerra Mundial (01-09-1939 a 02-09-1945)

Pio XII
1939-1958





Encíclica “Mystici Corporis Christi”
(29 de junho de 1943)
- Conceito de Igreja como Corpo Místico de Cristo










Califórnia













USA

·    Nasce a ARPANET (1969)













·    A ARPANET passa a Internet (1990)
João XXIII
1958-1963

Concílio Vaticano II
(11-10-1962 a 08-12-1965)
- Igreja como Mistério de Fé
- Renovação da liturgia
























Paulo VI
1963-1978
João Paulo I
1978-1978
João Paulo II
1978-2005
Século XXI
Bento XVI
2005-2013
Francisco
2013-…