sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Uma viagem pela história da Teologia Prática

"Teologia Practica - Teoria y Praxis de la Accion Pastoral" - Casiano Floristan 

In: estudandoescatologia.blogspot.com


Falar de Teologia Prática obriga-nos a olhar para Jesus, para a sua mensagem salvífica e consequentemente para toda a pastoral que daí se desenvolveu. E é assim que Casiano Floristan nos mostra a história da Teologia Prática.

Primeiramente, começa por apresentar uma hermenêutica da práxis de Jesus, mostrando que o verdadeiro Jesus não é nem um sacerdote do Templo, nem um escriba da lei, mas sim um profeta do Reino que anuncia e nos dá a Salvação. Vê-se já em Jesus, na sua mensagem e na sua relação filial com Deus uma dinâmica pastoral diferente. Por Cristo, com Cristo e em Cristo estamos em comunhão com Deus.

A práxis de Jesus é apresentada em três níveis: económico (caridade), político (esperança) e ético-social (fé). Através das suas ações, do perdão, dos milagres, da comunidade de mesa e da sua relação com Deus, com o Reino de Deus e com os seus discípulos vê-se inerente estes três níveis da práxis de Jesus, imagem da pastoral pretendida e anunciada por Ele mesmo.

De seguida o autor apresenta-nos a ação pastoral da Igreja Primitiva contextualizando o momento histórico da época que era caracterizado pelo mundo helenístico-romano, o mundo judio-palestiniano e a diáspora judia. Mostra sobretudo como é que o povo cristão da Igreja Primitiva foi vivenciando a fé que Cristo havia anunciado. Que passou pelo serviço da Palavra (desde o kerigma cristão à predicação da mensagem), pelo serviço sacramental (culto, ceia do Senhor, batismo, perdão dos pecados e a unção dos enfermos), pelo serviço da comunhão (desde a primeira comunidade Cristã até à unidade e variedade das comunidades primitivas, tais como, a de Jerusálem, Antioquia, Corinto, Macedónia, Roma e Gálatas) e pelo serviço da transformação (provindo da inculturação da fé, das consecutivas perseguições existentes e da realidade política da Igreja Primitiva).

Para assim compreendermos melhor a ação pastoral na história da Igreja, Casiano Floristan apresenta-nos também de uma forma esquemática a evolução que houve na conceção da Igreja, nas ações pastorais e nos agentes do ministério desde a primeira época (séc. II-III) até ao Concílio do Vaticano II. Desde as reformas que existiram do clero e do ministério episcopal ao lugar que a paróquia passou a ocupar na ação pastoral. A própria conceção de Igreja  sofreu alterações passando de mediadora de salvação, a categorias mais sociológicas e teológicas, chegando-se a um conceito mais sensível à pastoral, uma vez que preveligia o contacto com a Palavra e adaptação do pensamento às exigências do mundo.Esta evolução deveu-se à necessidade de uma constante adaptação e resposta às situações problemáticas que surgiram  ao longo destes anos.

Desde 1215 que se fala da importância do trabalho pastoral na educação do Clero, no entanto, a Teologia Pastoral surgiu apenas como disciplina do plano de estudos eclesiásticos no dia 03/10/1774, com o decreto da imperatriz austríaca Maria Teresa de Áustria. Numa primeira etapa foi concebida mais como uma arte do que como ciência, regida ao abrigo de um regime católico absolutista. Só com Schleiermacher (protestante) é que passou a ser vista como ciência. Vemos assim que as reflexões da teologia prática protestante, bem como a renovação contemporânea, marcada pelas guerra mundiais e pelo Concílio, foram importantes para se definir qual o objeto e as dimensões de estudo desta disciplina. Se mais baseado numa conceção eclesiológica ou pastoral clerical ou em ambas.


Sánchez Aliseda considera que a finalidade da ação pastoral é a salvação e a santificação das almas. É assim o estudo da acção sacerdotal, seguindo o exemplo de Cristo sacerdote, profeta e rei, para uma melhor eficácia na salvação das almas.

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